Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: O Professor que Ensina com Medo e Carinho
2026-02-26  ⦁  By NetShort
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A primeira imagem já entrega o tom: um quadro-negro rachado, coberto por caracteres chineses que brilham como se fossem escritos com fogo líquido — ‘上市敲钟’ (tocar o sino da bolsa), ‘做大做强’ (crescer e dominar), ‘资源整合’ (integração de recursos). Palavras que soam como mantras corporativos, mas aqui são tratadas como feitiços antigos, inscritas em uma superfície que parece ter visto séculos de abandono. E então, ele aparece: cabelos rosa desgrenhados, olhos verdes cortantes, um sorriso que não chega aos olhos, mas que promete algo entre sedução e punição. Ele toca o quadro com os dedos, como se estivesse invocando algo — ou talvez apenas reafirmando seu domínio sobre aquilo que está prestes a ensinar. A legenda em português, ‘Toque do Sino da Bolsa / Integração de Recursos / Crescer e dominar o mercado’, é irônica: não é uma aula de economia, é uma cerimônia de iniciação. E quem está sendo iniciado? Um grupo de figuras esqueléticas, vestidas com roupas desgastadas, sentadas em carteiras de madeira podre, cada uma com pernas de aranha emergindo das costas — não como monstros, mas como símbolos de dependência, de parasitismo, de uma existência que só sobrevive porque alguém lhes dá instruções.

O velho, com lágrimas escorrendo pelas rugas profundas do rosto, levanta a mão trêmula, como se implorasse por compreensão — ou talvez por misericórdia. Seus olhos amarelos brilham com uma luz anormal, quase sobrenatural, e sua boca se abre num grito silencioso, enquanto gotas de suor e lágrimas se misturam em seu queixo. Ele não é um aluno comum; ele é o arquétipo do fracasso crônico, do homem que tentou tudo e falhou em tudo, agora reduzido a uma sombra que ainda tem esperança — ou talvez apenas medo. E o professor? Ele não grita. Ele *observa*. Com uma régua na mão, ele se inclina sobre o velho, como um cirurgião antes de fazer a incisão. A régua não é para bater — pelo menos, não ainda. É um símbolo: a medida do que falta, a linha que separa o aceitável do inaceitável, o que pode ser corrigido do que já está perdido. A sala está cheia de teias de aranha, mas nenhuma delas é natural — elas são traçadas com tinta branca, como se alguém tivesse desenhado a decadência no ar. As janelas de madeira, com seus painéis tradicionais, filtram uma luz cinzenta que parece vir de um mundo que já morreu. Este não é um ambiente de aprendizado. É um ritual de purificação forçada.

E então, o contraste: o mesmo personagem, agora deitado em uma espreguiçadeira de bambu, em um onsen envolto em vapor rosado, com mulheres de rostos pálidos e expressões neutras cuidando dele. Ele ri, relaxado, os olhos fechados, as mãos atrás da cabeça — como se nada tivesse acontecido. A transição é brutal, mas proposital. Não há cortes suaves, não há dissolves poéticos. Há um *corte seco*, como se o diretor tivesse dito: “Agora você vê o que ele *faz* depois de ensinar.” E o que ele faz? Ele se deleita. Ele é servido como um deus menor, rodeado por figuras que parecem mais estátuas vivas do que pessoas reais. Uma delas segura uma espada curta, como se estivesse pronta para protegê-lo — ou para executar suas ordens. Outra, com os olhos brilhando como corações de cristal, sorri com lágrimas de felicidade, enquanto bolhas de sabão flutuam ao redor dela. Essa cena é claramente inspirada no estilo *chibi* de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas, onde o exagero emocional é uma linguagem visual própria — o coração nos olhos não é metáfora, é realidade dentro da lógica da narrativa. Aqui, o desejo é visível, tangível, até físico. E o protagonista? Ele absorve tudo isso com uma calma assustadora. Ele não pede. Ele *recebe*.

Mas a verdadeira virada vem quando o velho reaparece — não mais chorando, mas *rindo*. Um riso largo, distorcido, com os dentes à mostra, os olhos arregalados, o corpo curvado sobre a mesa como se estivesse prestes a vomitar ou a entregar um segredo. Suas mãos estão suadas, os dedos tremem, mas seu sorriso é imenso, quase demoníaco. Ele não está feliz. Ele está *transformado*. Algo dentro dele estourou, e o que saiu foi uma versão mais pura, mais cruel, mais *eficiente* de si mesmo. Esse momento é crucial: a educação aqui não é sobre conhecimento, é sobre *reconfiguração psicológica*. O professor não ensina teoria — ele remove camadas de autoengano até que reste apenas a essência do interesse próprio. E o velho, agora, parece ter entendido a lição melhor do que qualquer outro aluno.

A sequência em preto e branco que segue é um choque estético: o protagonista, com os cabelos agora mais claros, a mão na testa, os olhos arregalados, a boca aberta num grito mudo. O fundo está rachado como vidro, como se sua mente estivesse se fragmentando. Mas por quê? O que ele viu? O que o velho disse? A câmera não revela. Ela apenas mantém o close, deixando o espectador pendurado naquela expressão de puro terror existencial. Isso é típico de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: o horror não está no sangue, mas na *clareza repentina*. Quando você percebe que o sistema que você acreditava ser justo é, na verdade, uma máquina de extração disfarçada de oportunidade — e que você já está dentro dela, sem saber como entrou.

Depois, o retorno à sala de aula — mas agora, o professor está furioso. Ele aponta o dedo, a voz (embora não ouçamos) claramente elevada, os olhos estreitos, o maxilar cerrado. Ele não está mais brincando. Ele está exigindo. E o velho, diante dele, não se encolhe. Ele *sorri*. Um sorriso que diz: ‘Eu entendi. Eu sei o jogo agora.’ E então, o professor relaxa. Ele volta a sorrir, mas dessa vez é diferente — é o sorriso de quem acabou de encontrar um discípulo digno. Ele toca o colar com o pingente verde, como se estivesse ativando um circuito oculto. A atmosfera muda: as teias de aranha começam a brilhar levemente, como se estivessem carregadas de eletricidade estática. A sala não é mais um lugar de ensino. É um laboratório. E eles são os experimentos.

A transição para ‘Uma hora depois’ é genial: não há explicação, não há montagem lenta. Apenas um título em branco sobre fundo preto, e então — o onsen novamente. Mas agora, o ambiente é diferente. As mulheres ainda estão lá, mas suas expressões são mais neutras, mais *funcionais*. O protagonista está deitado, mas não mais sozinho — ao seu lado, um jovem de cabelos pretos, vestindo jaqueta casual, mergulha os pés numa bacia de madeira, suspirando de alívio. Ele parece normal. Quase *inofensivo*. E é justamente por isso que ele é perigoso. Porque ele não sabe o que aconteceu na sala de aula. Ele não viu o velho rir como um demônio. Ele não sentiu o choque da régua no ar. Ele é o público. Ele é *nós*.

A cena seguinte é uma explosão de surrealismo: uma mulher sentada em uma cadeira, sorrindo, enquanto múltiplos braços musculosos — todos idênticos, todos pertencentes a uma mesma figura feminina que surge atrás dela — massageiam seus ombros, pescoço, costas. A figura central tem um sorriso sereno, quase maternal, mas seus olhos estão vazios. Ela não está ajudando. Ela está *otimizando*. Cada movimento é preciso, calculado, sem desperdício de energia. Isso é outra marca registrada de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: a perfeição como forma de controle. Não há caos aqui. Há *eficiência*. E a eficiência, quando levada ao extremo, deixa de ser útil e se torna opressiva.

A garota com os olhos em forma de coração reaparece, mas agora ela está chorando — não de alegria, mas de frustração. Ela cobre o rosto com a mão, as lágrimas escorrem, e seu sorriso é forçado, trêmulo. Ao fundo, outra figura observa, impassível. O que mudou? Ela descobriu que o amor que ela oferecia não era retribuído — ou pior: que ele nunca foi pedido. Ela não é uma serva. Ela é uma *ferramenta*. E ferramentas não têm direito a expectativas. Esse é o núcleo emocional da série: a ilusão do afeto como moeda de troca. Você pensa que está dando carinho, mas na verdade está pagando uma dívida que nem sabia que tinha.

E então, o velho retorna — desta vez, com um caderno nas mãos. Ele se agacha diante do protagonista, os olhos brilhando com uma inteligência nova, afiada. Ele não pede nada. Ele *registra*. Anota cada gesto, cada pausa, cada microexpressão. Ele virou um observador. Um parceiro. Um *co-conspirador*. E o protagonista? Ele sorri. Um sorriso lateral, lento, cheio de significado. Ele não precisa falar. Ele já disse tudo com os olhos. A cena termina com um close em seu perfil, iluminado por uma luz dourada que parece vir de dentro dele — como se ele tivesse acabado de acender uma lâmpada no cérebro.

O que torna Demônios? Não! São Garotas Perfeitas tão perturbadoramente cativante é justamente essa dualidade: por um lado, temos o absurdo cômico, o exagero estilizado, os olhos em forma de coração e as lágrimas de felicidade; por outro, temos a frieza calculista, a manipulação psicológica, a transformação do humano em recurso. Não há vilões tradicionais aqui. Há *sistemas*, e os personagens são tanto vítimas quanto agentes desses sistemas. O professor não é mau — ele é *lógico*. O velho não é fraco — ele é *adaptable*. As garotas não são submissas — elas são *otimizadas*.

E é nesse ponto que a série transcende o gênero de comédia negra e toca no território da crítica social mais sutil. Quando o protagonista toca o quadro-negro no início, ele não está escrevendo uma lição. Ele está *reprogramando* a realidade. Os caracteres chineses não são palavras — são *comandos*. ‘Crescer e dominar o mercado’ não é um objetivo, é um protocolo. E quem segue esse protocolo? Não são os ambiciosos. São os *quebrados*, os que já perderam tudo e estão dispostos a qualquer coisa para voltar ao topo — mesmo que isso signifique se tornar uma aranha, uma ferramenta, uma sombra com pernas.

A última imagem — o sorriso do protagonista contra o fundo rosado — é a mais ambígua de todas. Ele está feliz? Ou está apenas satisfeito com o funcionamento da máquina que ele ajudou a construir? A luz ao fundo não é solar. É artificial. É a luz de um monitor, de uma tela, de um sistema que está sempre ligado, sempre coletando, sempre ajustando. E nós, espectadores, estamos do lado de fora da sala de aula, olhando pela janela rachada, perguntando: se eu entrasse lá, o que eu me tornaria? Um aluno? Um professor? Ou apenas outra teia de aranha, esperando pelo próximo toque do sino da bolsa?

Demônios? Não! São Garotas Perfeitas não é uma série sobre monstros. É sobre como, em um mundo onde o valor humano é medido em ROI, até o mais gentil dos sorrisos pode esconder um algoritmo de extração. E o pior? Você vai rir enquanto assiste. Porque o riso é a primeira defesa contra a verdade — e a verdade, aqui, é que todos nós já estamos na sala de aula. Só falta o professor nos chamar pelo nome.

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