Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: A Fúria que Nasce do Silêncio
2026-02-26  ⦁  By NetShort
https://cover.netshort.com/tos-vod-mya-v-da59d5a2040f5f77/2eaf1399056e4b9888c09d9c805f2c4f~tplv-vod-noop.image
Assista todos os episódios grátis no app NetShort!

A sala de controle, com suas luzes azuis frias e painéis holográficos pulsando em vermelho como um coração em crise, não é apenas um cenário — é um espelho. Um espelho que reflete a tensão entre o que se sabe e o que se teme. Quando a palavra ‘警告’ (WARNING) surge em caracteres chineses e inglês, iluminada por um brilho sanguíneo, ninguém ali precisa de tradução. O significado está no ar, denso como fumaça após uma explosão. Os personagens, vestidos com armaduras modulares e uniformes de elite, não correm. Eles *paralisam*. Não por fraqueza, mas por reconhecimento: algo já saiu do script. Algo que não deveria existir. E é nesse instante — quando o jovem de cabelos escuros aponta, com a boca aberta e o suor escorrendo pela têmpora — que o filme nos entrega sua primeira verdade: o terror não vem da escuridão, mas da clareza repentina. Daquilo que você *vê*, e ainda assim não consegue acreditar.

Demônios? Não! São Garotas Perfeitas não é um título irônico. É uma declaração de guerra contra a simplificação. A garota de cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, com os punhos cerrados sobre a mesa de comando, não grita. Ela *range os dentes*. Seus olhos, antes neutros, agora brilham com um vermelho interno, como se uma lâmpada fosse acesa por trás da retina. Isso não é efeito especial barato — é transformação psicológica visualizada. Ela não se tornou uma vilã. Ela se tornou *incontrolável*. E o mais assustador? Ninguém na sala a detém. Nem o oficial de patente alta, com seu sorriso torto e medalhas que parecem mais como cicatrizes do que honrarias. Ele observa, anota mentalmente, talvez até anote em algum arquivo cifrado: *‘Subjeto Alpha-7 demonstrou reação neural acelerada à exposição ao fenômeno X. Recomenda-se monitoramento contínuo.’* A frieza institucional é, aqui, mais aterrorizante que qualquer zumbi.

Porque sim — há zumbis. Mas não são os zumbis que você conhece do cinema de baixo orçamento. Esses não arrastam os pés. Eles *avançam com propósito*. Vestem uniformes policiais desgastados, com distintivos ainda visíveis sob manchas de sangue seco e tecido podre. Um deles segura uma corrente enferrujada, como se fosse um cetro. Outro ergue uma cadeira de rodas como se fosse uma arma sagrada. E então, no centro da ruína, sob uma lua vermelha que parece um olho vigilante, surgem os protagonistas: um jovem de cabelos rosa, com um casaco longo e um colar com pedra verde que brilha como um farol em meio à escuridão; e ela — a garota da sala de controle, agora com uma espada de energia azul, cortante como um pensamento repentino. Eles não estão lutando *contra* os mortos-vivos. Estão lutando *por* algo que os mortos-vivos representam: a falência do sistema, a corrupção da ordem, a mentira de que “tudo está sob controle”.

O momento-chave não é a batalha. É o silêncio depois do golpe. Quando o rapaz de cabelos rosa agarra o pescoço de um zumbi com a corrente, olhando-o nos olhos vazios, e diz — ou quase diz, pois a boca se move sem som, mas os lábios formam as palavras que todos sentem: *‘Você ainda lembra quem era?’* Esse é o cerne de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas. Não se trata de matar monstros. Trata-se de confrontar o que restou de humanidade neles — e, por extensão, em nós. O zumbi não responde. Mas seus olhos, por um milésimo de segundo, piscam. Não com vida. Com *memória*. E é aí que a narrativa se desdobra como um papel dobrado demais: o inimigo não é o corpo decomposto. É o sistema que criou esse corpo, que o rotulou, que o descartou, e agora o teme.

A garota com a espada azul, por sua vez, não ataca primeiro. Ela *observa*. Seus olhos, antes cheios de fúria, agora estão cheios de dúvida. Questionamentos flutuam ao seu redor como partículas de poeira iluminadas: *Por que eles usam uniformes? Por que têm correntes? Por que um deles carrega uma cadeira de rodas como se fosse um troféu?* Essas perguntas não são para o público. São para ela. E é essa introspecção, em pleno campo de batalha, que eleva o material além do gênero. Enquanto outros filmes mostram heróis que sabem exatamente o que fazer, aqui, a heroína *hesita*. E essa hesitação é mais poderosa que qualquer golpe de espada.

O oficial de patente alta, cujo nome nunca é dito, mas cuja presença domina cada cena em que aparece, não é um vilão clássico. Ele é um *arquiteto do caos controlado*. Quando ele aponta para a imagem holográfica do rapaz de cabelos rosa, não há raiva em seu gesto. Há *satisfação*. Como um cientista que vê sua hipótese confirmada. Ele não quer impedir o apocalipse. Ele quer *entender* como ele funciona. E isso é ainda mais perturbador. Porque, no fundo, todos nós já conhecemos alguém assim: o chefe que ignora os sinais de alerta porque “o relatório trimestral está bom”, o político que fala de segurança enquanto corta o orçamento da saúde pública, o vizinho que fecha a porta quando ouve gritos do apartamento ao lado. O horror de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas não está nos zumbis. Está na normalização da indiferença.

A sequência da cadeira de rodas é genial. Um zumbi, com ossos expostos e músculos pendurados como cordas soltas, levanta o objeto com uma força impossível. Não para atacar. Para *mostrar*. E então, o rapaz de cabelos rosa não o esfaqueia. Ele o *desarma*. Com um movimento limpo, quase dançante, ele torce o braço do zumbi, faz a cadeira cair, e então, em vez de continuar, ele se agacha. Olha nos olhos do ser diante dele. E nesse momento, a câmera se afasta, revelando que eles estão cercados — não por inimigos, mas por *testemunhas*. Outros zumbis param. Não avançam. Apenas observam. Como se estivessem esperando por uma resposta. E é nesse instante que a garota com a espada azul, ao fundo, solta um suspiro. Seus olhos perdem o brilho vermelho. A espada oscila. Ela não entende. E é justamente essa falta de compreensão que a torna real. Ela não é uma máquina de matar. Ela é uma pessoa que foi treinada para matar — e agora está questionando se o alvo ainda merece ser chamado de ‘alvo’.

O título Demônios? Não! São Garotas Perfeitas ganha nova camada aqui. Não é uma piada. É uma acusação. Quem são os verdadeiros demônios? Os que caminham com olhos vermelhos e correntes? Ou aqueles que, de dentro de salas climatizadas, decidem quem vive, quem morre, e quem será esquecido? A garota com o rabo de cavalo, ao final, não assina nenhum documento. Ela rasga a folha. O gesto é pequeno, mas reverbera como um terremoto. Porque, pela primeira vez, alguém recusa a participar do jogo. E é nesse ato de recusa — não de violência, mas de *negação* — que o filme revela sua alma. Ele não quer te assustar com zumbis. Ele quer te incomodar com a pergunta: *Até onde você iria para seguir ordens?*

A iluminação é um personagem à parte. As cenas internas são banhadas em azul e cinza, cores da tecnologia e da burocracia. Já as externas, sob a lua vermelha, são dominadas por tons de ferrugem, carvão e sangue seco. Nenhum verde. Nenhum amarelo. A natureza foi apagada. O que resta é o concreto rachado, as vigas expostas, as plantas que crescem *através* das paredes, como se a terra estivesse tentando recuperar o que lhe foi roubado. E nesse cenário, os personagens não são heróis. São sobreviventes que ainda não decidiram se querem sobreviver *como* humanos — ou apenas como funções dentro de um sistema que já está morto, mas continua funcionando por inércia.

O detalhe do colar com a pedra verde no pescoço do rapaz de cabelos rosa não é decorativo. Em uma cena rápida, quando ele toca a pedra, um leve brilho se espalha por seus braços — não como poder, mas como *lembrança*. Talvez seja um presente de alguém que já não está mais lá. Talvez seja a única coisa que ele ainda guarda de um tempo antes da queda. E é nesses detalhes que Demônios? Não! São Garotas Perfeitas brilha: não precisa de monólogos épicos. Basta um gesto, um olhar, uma corrente que balança no vento para contar uma história inteira.

A última imagem não é de vitória. É de impasse. O rapaz de cabelos rosa está de costas para a câmera, olhando para um grupo de zumbis que, em vez de avançar, começam a se agachar. Um deles, o que segurava a cadeira de rodas, estende a mão — não para atacar, mas para entregar algo. Uma pequena caixa de metal, enferrujada, com um símbolo gravado: uma cruz invertida dentro de um círculo. A garota com a espada azul dá um passo à frente, mas para. Sua mão treme. A espada ainda brilha, mas a luz está mais fraca. E é nesse momento que o título volta, não como frase, mas como pergunta silenciosa: *Demônios? Não! São Garotas Perfeitas.* Porque, no fim, a perfeição não está na ausência de falhas. Está na coragem de duvidar, mesmo quando todos ao redor já aceitaram a mentira. E essa é a verdade mais assustadora de todas: o mundo pós-apocalíptico não é o problema. O problema é que, mesmo nele, ainda há gente disposta a seguir regras que já não fazem sentido. E é por isso que, ao sair da sessão, você não vai lembrar dos zumbis. Você vai lembrar da garota que rasgou o papel. E se perguntar: *E eu? O que eu teria feito?*

Você Pode Gostar