Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: O Choque Entre Uniforme e Coração
2026-02-26  ⦁  By NetShort
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A cena abre-se num ambiente minimalista, quase estéril — paredes cinzentas, iluminação fria, móveis de linhas retas e sofás pretos que parecem mais bancos de tribunal do que assentos para conversa. Nesse cenário, cinco figuras posicionam-se com uma tensão que não precisa de palavras para ser sentida. À esquerda, um jovem de cabelos rosa desfiados, vestindo um casaco longo preto sobre uma camiseta escura, com colar de cruz e um pingente verde translúcido pendurado no pescoço — ele exala uma mistura de confiança e ironia, como se já tivesse visto esse tipo de encontro mil vezes antes. Ao seu lado, duas mulheres: uma em vermelho intenso, com vestido rasgado, olhos vermelhos e uma aura de perigo contido; a outra, em branco sujo, com véu e manchas de sangue secas nas saias — ambas imóveis, mas vibrando com uma energia que faz o ar tremer. Do outro lado da sala, um homem de uniforme militar, com medalhas reluzentes e postura rígida, avança com passos calculados, enquanto uma terceira mulher, de short curto, botas altas e casaco aberto, observa tudo com os braços cruzados, como se estivesse avaliando se vale a pena participar ou apenas assistir ao espetáculo.

O oficial aproxima-se do rapaz de cabelo rosa, e ali começa o verdadeiro jogo de poder. Seus gestos são precisos: primeiro, um sorriso forçado, depois, a mão estendida — não como oferta, mas como teste. Ele quer saber se o outro vai aceitar, se vai ceder, se vai se dobrar à hierarquia. E o rapaz, claro, sorri de volta — mas é um sorriso que revela os dentes, como o de um gato que acabou de capturar o rato e ainda não decidiu se o devora ou brinca com ele. Quando as mãos se tocam, há um *click* sutil, quase imperceptível, mas que ecoa na mente do espectador: algo foi selado. Um pacto? Uma armadilha? Um acordo que ninguém vai admitir ter feito?

É nesse momento que entra o gato — sim, um gato real, peludo, tricolor, usando um gorro azul com uma coroa minúscula de plástico preto. Ele solta um miado agudo, quase histérico, como se estivesse denunciando a hipocrisia daquela cena. E é justamente essa interrupção absurda que quebra a tensão artificial. O oficial, até então controlado, pisca duas vezes, e sua expressão muda: da arrogância para o choque, da autoridade para a confusão. Ele olha para o gato, depois para o rapaz, e por um instante, parece que o mundo inteiro parou para esperar sua reação. Mas ele não grita. Não xinga. Só aperta os punhos sobre a mesa de mármore preto, como se tentasse esmagar algo invisível — talvez sua própria dignidade, talvez a realidade que acaba de lhe dizer que ele não está no controle.

Aí vem a virada. O oficial ativa um dispositivo no pulso, e uma tela holográfica surge no ar — e o que vemos não é um relatório, não é um mapa, não é uma missão. É uma imagem de um céu avermelhado, uma lua gigantesca e sangrenta, e silhuetas de criaturas com chifres, asas e olhos que brilham como brasas. No centro, uma figura feminina com cabelos divididos entre preto e vermelho, coroa de espinhos e um sorriso que não pertence a este mundo. A legenda aparece: *Rei Sombrio da Lua Vermelha*. E então, num close brutal, vemos o rosto dessa figura — ensanguentado, com olhos vermelhos ardentes, um sorriso largo demais, como se estivesse prestes a contar uma piada que só ela entende. É aqui que o título do episódio ganha sentido: Demônios? Não! São Garotas Perfeitas. Porque nada nessa narrativa é o que parece. As “criaturas sombrias” não são monstros — são personagens com motivações, desejos, feridas. E a protagonista, com sua dualidade de cores e sua coroa de espinhos, não é uma vilã. Ela é uma mulher que escolheu ser temida porque o mundo nunca a deixou ser amada.

O rapaz de cabelo rosa, ao ver a imagem, não se assusta. Pelo contrário — ele inclina a cabeça, como quem reconhece um velho amigo. E então, num movimento inesperado, ele levanta a mão direita, palma aberta, como se estivesse pedindo silêncio… ou oferecendo proteção. Seus olhos, antes brincalhões, agora estão focados, intensos, como se visse além da tela, além do presente, até o futuro que já está sendo tecido. Ele coloca a mão no peito, num gesto quase religioso, e diz algo — não ouvimos as palavras, mas vemos seus lábios se moverem com firmeza. É uma promessa. Ou uma ameaça. Depende de quem está ouvindo.

Enquanto isso, a mulher de short curto, que até então estava apenas observando, de repente se move. Ela dá um passo à frente, os olhos arregalados, o rosto corado — não de vergonha, mas de raiva contida. E então, num quadro surreal, ela é envolta por uma onda de energia vermelha, como se um portal se abrisse atrás dela. Seu corpo treme, os punhos cerrados, e ela grita — mas o som é abafado pela música que sobe, dramática, quase gospel. É nesse instante que percebemos: ela não é uma coadjuvante. Ela é a chave. E o oficial, ao vê-la assim, finalmente quebra. Não com raiva, mas com lágrimas. Sim, lágrimas reais, escorrendo pelo rosto marcado pelo tempo, enquanto ele sorri — um sorriso triste, cheio de memórias que ele achava ter enterrado. Ele não está chorando pela situação. Está chorando porque, pela primeira vez em anos, alguém nele reconheceu a humanidade que ele tentou apagar.

A sequência seguinte é uma montagem rápida, quase onírica: a garota de cabelos divididos, agora vestida como freira, posando com flores de cerejeira ao fundo, piscando e fazendo o sinal da paz; o rapaz de cabelo rosa, com olhos em forma de coração, cercado por pétalas e estrelas, como se estivesse em um comercial de shampoo; e, de volta à sala, o oficial, com os olhos arregalados, como se tivesse acabado de lembrar de algo crucial — algo que pode mudar tudo. É nesse ponto que o título *Demônios? Não! São Garotas Perfeitas* ressoa com toda a força. Porque o que estamos vendo não é uma batalha entre o bem e o mal, mas entre expectativas e realidades. Entre o que o mundo espera que elas sejam — monstruosas, perigosas, imprevisíveis — e o que elas realmente são: complexas, contraditórias, profundamente humanas.

A ambientação da sala, tão neutra e impessoal, serve como espelho dessa dicotomia. Tudo ali é projetado para controlar, para padronizar, para reduzir indivíduos a funções. Mas as personagens recusam-se a caber nesse molde. A garota em vermelho não é “a vilã”, ela é alguém que aprendeu que a única maneira de ser ouvida é através do medo. A garota em branco não é “a vítima”, ela é quem escolheu manter a pureza mesmo quando o mundo a sujou. E a terceira, a de short e botas, não é “a rebelde”, ela é a que ainda acredita que é possível lutar sem perder a si mesma. Cada uma delas carrega uma história que não é contada em diálogos, mas em gestos: no jeito que cruzam os braços, no modo como evitam o olhar do oficial, no instante em que o rapaz de cabelo rosa decide não rir — e sim, agir.

O que torna *Demônios? Não! São Garotas Perfeitas* tão cativante é justamente essa recusa em simplificar. Nenhum personagem é totalmente bom ou mau. O oficial, por exemplo, não é um vilão burocrático — ele é um homem que serviu por décadas, que acreditou em ordem, em dever, em sacrifício. E agora, diante daquelas três garotas, ele vê que sua vida inteira pode ter sido baseada em uma mentira gentil. E isso dói mais do que qualquer golpe físico. Seu colapso não é de fraqueza — é de autenticidade. Ele chora porque, pela primeira vez, permite-se sentir. E é nesse momento que o rapaz de cabelo rosa, que até então parecia apenas um provocador, revela sua verdadeira função: ele não está ali para negociar. Ele está ali para despertar.

A cena final é simbólica: a mulher de short, agora com os olhos cheios de lágrimas e raiva, ergue os punhos como se estivesse prestes a atacar — mas não ataca. Ela só respira. E o oficial, ainda com as lágrimas no rosto, estende a mão novamente. Dessa vez, não como teste. Como pedido. E ela, lentamente, coloca a mão sobre a dele. Não é um aperto de mão. É um reconhecimento. É o início de algo novo — não uma aliança, mas uma possibilidade.

O que *Demônios? Não! São Garotas Perfeitas* faz com maestria é transformar o fantástico em íntimo. Os elementos sobrenaturais — a lua vermelha, as criaturas, a coroa de espinhos — não são decorativos. Eles são metáforas vivas para traumas não resolvidos, para identidades fragmentadas, para o peso da expectativa social. A garota com cabelos divididos não é uma entidade demoníaca — ela é a representação de alguém que teve que dividir sua alma para sobreviver. E o fato de ela aparecer tanto em imagens sangrentas quanto em cenas leves, com pétalas e sorrisos, mostra que a insanidade não é um estado, mas uma resposta. E quando o rapaz de cabelo rosa olha para ela com aquele olhar de adoração pura — olhos em forma de coração, mãos juntas como em oração —, não é porque ele é ingênuo. É porque ele enxerga além da máscara. Ele vê a garota perfeita que ela se esforça para ser, mesmo quando o mundo a chama de demônio.

Há uma cena curta, quase esquecida, onde o oficial olha para o relógio no pulso e vê não horas, mas uma imagem em miniatura da garota em vermelho, sorrindo. Ele fecha os olhos por um segundo. E nesse breve instante, entendemos: ele já a conhecia. Antes de tudo isso. Antes da guerra, antes da lua vermelha, antes do uniforme. E talvez, só talvez, essa seja a verdade mais assustadora de todas: os demônios não vêm do exterior. Eles nascem quando negamos a nós mesmos a capacidade de amar, de errar, de ser frágil. E *Demônios? Não! São Garotas Perfeitas* não nos oferece respostas fáceis. Oferece algo melhor: a chance de olhar para as figuras que chamamos de “monstros” e perguntar: o que você teve que fazer para chegar até aqui?

O vídeo termina com um plano aberto da sala — vazia, exceto pelo gato, que agora dorme tranquilamente no sofá, ainda com o gorro e a coroa. Ele não se importa com pactos, com luas vermelhas, com medalhas ou promessas. Ele só quer um lugar quente para descansar. E talvez, nessa simplicidade, esteja a mensagem final: a humanidade não está nos grandes gestos, mas nos pequenos atos de presença. Nas lágrimas que caem sem vergonha. Nos sorrisos que surgem mesmo após o caos. Na coragem de estender a mão — mesmo sabendo que pode ser recusada.

Por isso, quando alguém pergunta se *Demônios? Não! São Garotas Perfeitas* é uma série de ação, de terror ou de romance, a resposta é: é tudo isso — e nada disso. É um espelho. E o mais assustador não é o que vemos nele. É o que reconhecemos.

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