(Dublagem) Ascensão do Guerreiro: O Preço da Vingança e a Transformação Inevitável
2026-02-25  ⦁  By NetShort
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A cena desenrola-se à beira de um rio calmo, sob um céu levemente nebuloso — não o tipo de cenário épico que se espera para uma virada decisiva, mas justamente por isso, mais perturbador. O protagonista, vestido com uma camisa branca imaculada e calças castanhas, segura um casaco marrom como se fosse um escudo frágil contra o próprio destino. Seus olhos, apesar da postura ereta, carregam uma tensão que só quem já perdeu alguém de verdade consegue reconhecer: não é raiva pura, é dor cristalizada em propósito. Ele diz, com voz trêmula mas firme: *Eu quero me vingar do assassinato do meu pai*. Não há exagero, nem teatralidade — é uma confissão nua, crua, como se estivesse falando consigo mesmo diante do espelho, mas agora, frente a um estranho que parece saber mais do que deveria.

O outro personagem, de longos cabelos negros presos lateralmente, barba curta e roupas tradicionais — um haori preto com bordados de leque e um colar com amuleto circular — encara o jovem com uma expressão que oscila entre piedade e cálculo. Ele não responde de imediato. Só observa, enquanto o vento agita levemente seus fios. Quando fala, sua voz é baixa, quase sussurrada: *Existe alguma coisa que possa me ajudar a aumentar minha força?* A pergunta não é ingênua; é uma rendição disfarçada de exigência. Ele já tomou uma decisão: está disposto a pagar qualquer preço, desde que o caminho seja direto. E é nesse momento que o segundo homem, com um leve sorriso irônico, lança a primeira armadilha verbal: *Mas você vai aguentar pagar o preço?*

Aqui, a dinâmica muda. O jovem, antes determinado, vacila. Não por medo, mas por uma súbita clareza: ele ainda não entendeu o que está prestes a assinar. Ele responde, com uma mistura de orgulho e insegurança: *Desde que eu consiga matar o Caio, e te ajudar, não tenho medo de pagar qualquer preço.* A menção ao nome *Caio* é crucial — não é apenas um vilão genérico, é alguém cuja existência já foi internalizada como obstáculo insuperável. O fato de ele mencionar *te ajudar* revela algo ainda mais interessante: ele já vê o estranho não como um mero fornecedor de poder, mas como um aliado — ou talvez, sem perceber, como um mentor que já traçou seu papel na tragédia.

É então que entra o terceiro personagem, silencioso até aqui, vestido com roupas escuras e listradas, que abre uma maleta metálica com forro de espuma preta. Dentro, dois dispositivos cilíndricos com alavancas e uma ampola transparente contendo um líquido azul-turquesa, que brilha suavemente, como se tivesse vida própria. A câmera foca no objeto com reverência — este não é um simples frasco de soro, é um símbolo. O título *Soro Transcendental* aparece na tela, e o jovem, ao ouvir o nome, arregala os olhos. Não por surpresa, mas por reconhecimento. Ele já ouviu falar disso. Talvez em rumores, em histórias proibidas, em sussurros de velhos que morreram antes de terminar a frase. O soro não é apenas uma droga — é uma promessa de transcendência, de ruptura com os limites humanos. E é nesse instante que o segundo homem explica, com gestos precisos: *Basta injetá-lo no seu corpo, e a sua força vai aumentar consideravelmente.*

A reação do jovem é imediata: *Talvez até me supere.* Ele não está perguntando — está testando a veracidade da oferta. Há uma centelha de arrogância, mas também de esperança. Ele quer acreditar. E quando o outro responde *Isso é tão incrível?*, com um sorriso que não chega aos olhos, o jovem sente um frio na espinha — não por dúvida, mas por pressentimento. Porque, logo depois, vem a contrapartida: *Sim, mas, tem uma desvantagem.* A pausa é deliberada. O vento para. O rio, ao fundo, parece conter a respiração. E então, a verdade é dita, sem rodeios: *Isso vai te transformar em um ciborgue.*

A palavra *ciborgue* ecoa como um golpe. O jovem franze o cenho, confuso: *Ciborgue?* Como se o termo fosse estranho, antinatural. Mas o outro corrige, com paciência quase maternal: *Isso mesmo.* E então detalha: *Vai virar uma máquina de matar, incansável, e insensível à dor.* A ênfase em *insensível à dor* é proposital. Não é sobre resistência física — é sobre perda de humanidade. O jovem repete, como se tentasse digerir a informação: *Insensível à dor?* E então, num movimento que define toda a sua jornada, ele ergue o queixo e diz, com uma risada curta, quase histérica: *Então olha só, eu não tenho medo de nada.*

Essa frase é o ponto de inflexão. Não é coragem — é negação. Ele está negando a própria vulnerabilidade, como se admitir medo fosse trair a memória do pai. E é nesse momento que o segundo homem, satisfeito, acena com a cabeça: *Ótimo.* A maleta é fechada. As mãos se movem com rapidez. O soro é extraído. A agulha é inserida na veia do jovem — e aqui, a direção cinematográfica brilha: o close no rosto dele, os músculos do maxilar travados, os olhos fixos no horizonte, como se estivesse se despedindo de si mesmo. Um clarão vermelho-alaranjado atravessa a tela — não é efeito especial barato, é a representação visual da ruptura biológica. Seu corpo treme, as veias nas mãos incham e ficam visíveis, como raízes de árvore brotando sob a pele. Ele grita, mas não de dor — de transformação. De renascimento forçado.

O que torna (Dublagem) Ascensão do Guerreiro tão envolvente não é a ação em si, mas a ambiguidade moral que permeia cada escolha. O jovem não é um herói clássico — ele é um homem que aceita se tornar algo *menos que humano* para cumprir uma missão que, no fundo, pode ser apenas vingança disfarçada de justiça. O soro não é um atalho — é uma armadilha bem embalada. E o segundo personagem? Ele não é um vilão, nem um mentor benevolente. Ele é um *facilitador* — alguém que já viu esse ciclo se repetir inúmeras vezes, e que, por razões próprias, decide participar dessa vez. Seu colar, seu penteado, suas roupas: tudo sugere uma linhagem antiga, talvez ligada a uma ordem secreta que lida com tecnologias proibidas. Ele não oferece poder gratuitamente — ele oferece *consequências*, e deixa o outro decidir se está disposto a carregá-las.

A ambientação também é parte da narrativa. O rio, calmo e indiferente, contrasta com a tempestade interna do protagonista. As montanhas ao fundo, distantes e imutáveis, simbolizam o passado que ele não pode mudar — só superar, ou se deixar consumir por ele. A luz natural, difusa, evita sombras fortes, como se o filme recusasse simplificações binárias de bem e mal. Nada aqui é preto ou branco. Até o soro, com sua cor azul etérea, parece belo — e é justamente essa beleza que torna o perigo mais sedutor.

O que mais impressiona é como o roteiro constrói a transformação não como um evento físico isolado, mas como um processo psicológico. Quando o jovem diz *eu não tenho medo de nada*, ele está mentindo para si mesmo — e o espectador sabe. A câmera captura o microexpressão de hesitação antes do *não tenho medo*, o piscar mais lento, o aperto das mãos no casaco. Isso é cinema inteligente: não conta, *mostra*. E ao mostrar, convida o público a refletir: quantos de nós já aceitamos “atalhos” que nos custaram algo essencial? Quantas vezes trocamos nossa sensibilidade por eficiência, nossa dor por controle?

A referência ao *Caio* também merece atenção. Ele não aparece na cena, mas sua presença é onipresente. Ele é o catalisador, o motivo, o fantasma que guia cada decisão. E o fato de o jovem associar sua vingança à ajuda do estranho — *e te ajudar* — sugere que ele já está, inconscientemente, se submetendo a uma nova hierarquia. Ele não está buscando liberdade; está buscando um novo senhor, só que com melhor equipamento. Isso é profundamente trágico, e é exatamente isso que dá peso à obra.

Ao final, quando as veias do jovem se destacam como fios de metal sob a pele, não é só um efeito visual — é um aviso. A humanidade não se perde de uma vez; ela se dissolve, gota a gota, em nome de um objetivo que, no fundo, pode não valer o preço. (Dublagem) Ascensão do Guerreiro não é sobre superpoderes — é sobre o custo da obsessão. E o mais assustador é que, ao sair da tela, o espectador não torce pelo protagonista vencer… ele torce para que, em algum momento, ele lembre *por que* começou.

A maleta, fechada novamente no último plano, permanece lá — vazia, mas carregada de significado. Ela não contém mais o soro, mas sim a promessa de que haverá um próximo. Porque, como o segundo homem insinuou com seu sorriso enigmático, esse não é o fim. É só o primeiro passo de uma escalada onde cada degrau exige um pedaço da alma. E o título (Dublagem) Ascensão do Guerreiro ganha, nesse contexto, uma ironia brutal: ele não está ascendendo — está sendo *reconfigurado*. E a pergunta que fica, suspensa no ar como o vapor da ampola vazia, é: quando o ciborgue olhar no espelho, ainda reconhecerá o rosto do filho que jurou vingar o pai?

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