Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: O Professor que Vendeu a Alma no IPO
2026-02-26  ⦁  By NetShort
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A cena abre com uma atmosfera de abandono absoluto — teias de aranha penduradas como cortinas antigas, madeira podre rangendo sob os pés, e luzes difusas que entram por janelas trincadas, criando um jogo sombrio entre claridade e escuridão. No centro, um velho desgrenhado, com rosto marcado por rugas profundas e olhos que parecem ter visto séculos de sofrimento, avança com passos lentos, quase arrastados. Ao seu redor, figuras idênticas, vestidas com kimonos desbotados, permanecem imóveis, como estátuas vivas. Mas algo está errado: suas pernas não são humanas. São longas, finas, articuladas como as de aranhas gigantes, e se movem com uma sinuosidade inquietante. Essa não é uma sala de reuniões — é um templo de pesadelo, onde o real e o sobrenatural se fundem em uma dança macabra. E então, ele entra.

O jovem de cabelos rosa, elegante até na decadência do ambiente, caminha com uma calma que beira a insolência. Seu casaco preto flutua levemente, como se o ar ao seu redor tivesse sido alterado pela sua presença. Ele sorri — não um sorriso amigável, mas aquele que revela dentes brancos demais, olhos verdes que brilham com uma inteligência afiada, quase predatória. Ao fundo, três personagens observam, tensos: uma garota com cabelo preso em coque alto, segurando uma katana com firmeza, mas cujos olhos transmitem puro espanto; atrás dela, dois outros, um abraçando o outro, como se buscasse proteção em meio ao caos. Um ponto de interrogação luminoso paira acima da cabeça da garota com a espada — não é um efeito estilístico aleatório, é um símbolo visual da confusão coletiva. Ninguém entende o que está acontecendo. Nem mesmo o velho, que agora ri — um riso gutural, cheio de dentes irregulares, que ecoa pelas paredes como um sinal de alerta. Demônios? Não! São Garotas Perfeitas — essa frase, apesar de absurda à primeira vista, ganha sentido quando percebemos que o horror aqui não vem de criaturas sobrenaturais, mas da manipulação humana, da transformação forçada, da perda de identidade sob o peso de um sistema que exige obediência absoluta.

O momento de virada ocorre quando o rapaz de cabelos rosa ergue uma régua decorada com padrões dourados — não uma arma comum, mas um objeto simbólico, talvez um bastão de comando ou um artefato ritualístico. Sua expressão muda: o sorriso desaparece, substituído por uma fúria contida, os olhos se estreitam, a boca se abre num grito que parece rasgar o ar. O fundo explode em vermelho, linhas dinâmicas irradiam de seu corpo, e raios elétricos dançam ao redor de seus braços. Ele não está apenas gritando — está *impondo* uma verdade. A câmera corta para os ‘alunos’, agora agachados sob mesas de madeira, suas formas aracnídeas se contorcendo, como se estivessem sendo submetidas a uma força invisível. As teias de aranha tremem. O chão vibra. E então, o mais surpreendente: ele se vira para uma lousa escura e, com um gesto teatral, traça algo no ar — não com giz, mas com energia pura. As partículas brilham, se organizam, e surgem caracteres em chinês, acompanhados por uma legenda em português: *Plano de Abertura de Capital (IPO)*. Sim, você leu certo. Um IPO. Em pleno templo de aranhas-humanas. É nesse instante que o tom da obra se revela: não é terror puro, nem fantasia épica — é sátira social disfarçada de anime de ação, onde o capitalismo se torna o monstro final, mais assustador que qualquer demônio.

A lousa, antes vazia, agora brilha com letras douradas que pulsam como batimentos cardíacos. ‘IPO 上市资产计划!’ — o plano de listagem na bolsa, o sonho de todo empresário, aqui apresentado como um feitiço proibido. Os alunos, ainda com corpos de aranha, erguem as cabeças, olhos arregalados, como se estivessem assistindo a um milagre. O velho, que antes ria, agora está paralisado, mãos sobre a mesa, suor escorrendo por sua testa enrugada. Ele levanta a mão, como se quisesse protestar, mas nenhum som sai. A pressão é física, visível — linhas negras saem de sua cabeça, representando o colapso mental. Enquanto isso, o protagonista, com os braços abertos, é envolvido por um cenário digitalizado: engrenagens girando, gráficos ascendentes, símbolos de moeda flutuando como partículas de poeira cósmica. Ele não está falando de finanças — está pregando uma religião nova, onde o lucro é a salvação e o investidor, o deus. Demônios? Não! São Garotas Perfeitas — e nessa narrativa, ‘perfeitas’ significa obedientes, padronizadas, prontas para serem empacotadas e vendidas no mercado. A ironia é brutal: as ‘garotas’ não são mulheres, mas produtos, ativos, recursos humanos transformados em mercadoria.

O clímax chega quando o rapaz se inclina sobre uma mesa, mãos apoiadas com força, olhar fixo, quase hipnótico. Texto dourado surge ao fundo: *客户终身价值* e *品牌溢价* — Valor Vitalício do Cliente e Prêmio de Marca. Palavras que, em contextos corporativos, soam neutras, até técnicas. Aqui, elas são incantamentos. Cada sílaba parece carregar peso, como se estivessem sendo gravadas na alma dos presentes. O velho, agora com múltiplos pontos de interrogação flutuando ao redor de sua cabeça, parece ter entrado em um estado de transe. Seus olhos refletem não só confusão, mas também uma espécie de fascínio aterrorizado. Ele já não é o mestre do lugar — é um aluno, e o professor acabou de revelar a verdade última: o mundo não é governado por deuses ou demônios, mas por métricas e KPIs. A câmera faz um zoom extremo em seu rosto, e então — surpresa — seus olhos refletem não sua própria imagem, mas a do rapaz de cabelos rosa, sorrindo. A identificação está completa. Ele já foi absorvido pelo sistema.

A sequência final é uma transição genial: da escuridão do templo para uma ilustração em tons sepia, quase fotográfica, de um estabelecimento tradicional chinês — *Pan Si Ke Zhan*, o ‘Pousada Pan Si’. Lanternas vermelhas penduradas, tecidos drapejados, fileiras simétricas de garotas vestidas com kimonos cor-de-rosa, curvando-se em uníssono. A composição é perfeita, harmoniosa, idílica. Até que a câmera sobe, revelando o teto — e ali, entre as vigas, há teias. Muitas teias. E, escondida entre elas, uma das ‘aranhas-humanas’ observa, imóvel. A beleza é uma fachada. A ordem, uma prisão. A pousada não é um local de descanso — é uma fábrica de conformidade, onde cada gesto, cada sorriso, cada curvatura é calculada, otimizada, monetizada. Esse é o cerne de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: a crítica implacável à cultura da performance, onde a autenticidade é descartada em nome da eficiência e da escalabilidade. As ‘garotas perfeitas’ não existem — elas são construídas, treinadas, programadas para cumprir um script invisível.

O protagonista, ao final, ergue novamente a régua, agora com uma aura dourada envolvendo-a como um halo. Ele não está mais gritando — está ensinando. E o que ele ensina? Que o verdadeiro poder não está na força bruta, mas na capacidade de fazer os outros acreditarem que estão escolhendo livremente. O velho, agora de pé, levanta a mão como se jurasse lealdade. Os outros seguem. A sala inteira se transforma em um auditório, com mesas alinhadas como carteiras de escola, e o rapaz no pódio, iluminado por holofotes que lembram os raios de uma assembleia de acionistas. A câmera sobe, mostrando a disposição simétrica dos ‘alunos’, todos com corpos de aranha, mas posturas eretas, disciplinadas. É uma imagem perturbadora porque é familiar: lembra salas de treinamento corporativo, workshops de liderança, pitchs de startups. A única diferença é que aqui, as pernas não são humanas — mas, em muitos casos, a alienação psicológica é igualmente profunda.

A garota com a katana, que até então era o único ponto de resistência, agora aparece com os olhos em espiral, boca aberta num grito silencioso. Ela viu algo que a quebrou. Talvez tenha entendido que a espada não serve contra ideias que se propagam como vírus. Ou talvez tenha percebido que ela mesma já estava dentro do sistema — sua postura defensiva, sua necessidade de proteger os outros, tudo isso pode ter sido moldado pela mesma lógica que transformou os velhos em aranhas. O vídeo não dá respostas fáceis. Ele deixa a dúvida pairar, como aquelas teias que nunca são totalmente removidas, apenas ignoradas até que alguém as toque e elas se revelem, pegajosas e inescapáveis.

O que torna Demônios? Não! São Garotas Perfeitas tão memorável não é a animação (embora seja impecável), nem os designs dos personagens (embora o contraste entre o caos do velho e a elegância do rapaz seja genial), mas a coragem de usar o gênero de ação sobrenatural para discutir temas que normalmente são tratados em documentários ou artigos acadêmicos. O IPO não é um detalhe — é o núcleo da tragédia. Quando o rapaz escreve ‘IPO’ na lousa, ele não está anunciando um evento financeiro; está realizando um ritual de posse. Os ‘alunos’ não estão aprendendo contabilidade — estão sendo reprogramados para aceitar que sua existência tem valor apenas enquanto gerarem retorno. A marca não é um logotipo — é uma tatuagem mental. E o ‘cliente vitalício’? É a pessoa que, mesmo sabendo que está sendo explorada, continua comprando, porque o sistema lhe deu uma identidade: a de consumidor fiel, de membro de uma comunidade, de alguém que ‘entende’ o valor.

A cena final, com o rapaz tocando a testa, olhar cansado mas satisfeito, é devastadora. Ele não venceu uma batalha — ele consolidou um regime. A luz que o envolve não é divina, é fluorescente, como a de um escritório moderno às 2 da manhã. Ele está exausto, mas realizado. Porque, no fim, o verdadeiro sucesso não é derrotar o mal — é fazer o mal parecer racional, necessário, até desejável. E é aí que Demônios? Não! São Garotas Perfeitas atinge seu ápice: ao mostrar que o monstro não mora debaixo da cama, mas na sala de reuniões, com um laptop e um plano de negócios bem estruturado. As garotas não são perfeitas — elas são perfeitamente controladas. E o pior? Ninguém está gritando por ajuda. Todos estão apenas… concordando com um aceno de cabeça, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Demônios? Não! São Garotas Perfeitas — e talvez, só talvez, nós também estejamos lá, sentados em nossas mesas, com pernas que já não se lembram mais de como é andar como humanos.

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