A cena abre com uma imponência quase religiosa: dois leões de pedra, guardiões milenares, flanqueiam uma porta monumental em meio a uma cidade futurista, onde torres de aço e luzes azuis pulsantes coexistem com elementos arquitetônicos tradicionais chineses. É um contraste deliberado — o antigo e o novo, o espiritual e o tecnológico — e já ali, sem uma única palavra, o espectador é convidado a refletir: o que há atrás dessa porta? Não é apenas uma entrada; é um limiar entre mundos. E então, o chão se rompe. Um círculo místico, repleto de runas luminosas em azul elétrico, surge como se o próprio pavimento tivesse lembrado de sua magia adormecida. A energia não é caótica; é ordenada, ritualística, como se alguém tivesse pressionado ‘play’ em um sistema ancestral que nunca deixou de funcionar — só esperava pelo momento certo.
Quando a coluna de luz azul irrompe do centro do círculo, não há explosão, mas sim uma ascensão silenciosa, quase reverente. Três figuras emergem — não voando, não caindo, mas *materializando-se*, como se tivessem sido tecidas pela própria luz. São eles: um rapaz de cabelos escuros, uma garota de coque alto e olhos de gelo, e outra, mais jovem, com trança e uniforme escolar. A primeira impressão é de deslocamento: eles não pertencem àquele ambiente, ou melhor, pertencem a uma camada diferente da realidade que os cerca. E é nesse instante que a tensão se instala — não por ameaça, mas por expectativa. O que eles trouxeram consigo? Uma missão? Um segredo? Uma dívida?
A figura central, Camila Oliveira — cujo título aparece na tela como *Vice-capitã do Departamento de Defesa Contra Trevas* — encara-os com os braços cruzados, postura firme, mas não hostil. Seu sorriso é calculado, quase maternal, mas seus olhos não perdem nenhum detalhe. Ela não é uma autoridade que impõe; é uma curadora que observa. E quando os dois recém-chegados se curvam diante dela, não é submissão cega — é reconhecimento. Há respeito, sim, mas também uma leveza no gesto, como se estivessem cumprindo um ritual familiar, não uma ordem militar. Camila, então, toca o queixo com luva preta, pensativa. Esse gesto é crucial: ela não está julgando, está *avaliando*. Avaliando não só o que eles fizeram, mas quem eles são agora. Porque, claro, eles não são os mesmos que entraram no portal.
E aqui entra o verdadeiro cerne de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: a transformação não é física — é emocional. Quando o círculo brilha novamente, desta vez com uma intensidade ainda maior, três novas figuras surgem. Mas não são os mesmos três. Agora, há um rapaz de cabelos rosa, uma garota de blusa branca e saia plissada, e outra com jaqueta aberta e top preto. A mudança é sutil, mas devastadora: suas roupas são diferentes, seus rostos carregam marcas de lágrimas, de alívio, de choque. A garota de saia plissada chora, mas sorri — lágrimas de alegria misturadas com o peso de algo que acabou de ser superado. Ela se joga nos braços do rapaz de cabelos rosa, e ele a abraça com uma suavidade que contrasta com sua aparência rebelde. Ele tem um colar com uma cruz invertida, um piercing na orelha, mas seu abraço é puro. Isso é Demônios? Não! São Garotas Perfeitas em sua essência: personagens que carregam símbolos de rebeldia, mas agem com uma humanidade tão profunda que dissolve qualquer rótulo pré-concebido.
Ao fundo, uma multidão se forma — pessoas comuns, vestidas como civis de uma cidade moderna, aplaudindo, abraçando-se, erguendo os punhos. Não há soldados, não há armas, apenas emoção crua. Alguém foi salvo. Algo foi restaurado. E a garota de top preto, que antes parecia distante, agora observa tudo com uma expressão que oscila entre alívio e desconforto. Ela não participa das celebrações. Fica à margem, como se ainda estivesse processando o que aconteceu dentro do portal. Seus olhos verdes, agora visíveis em close, não refletem vitória — refletem dúvida. Ela sabe que o fim de uma batalha não significa o fim da guerra interna.
Camila, então, interrompe a festa com um gesto seco: o dedo apontado, a voz firme (embora não ouçamos as palavras, sua expressão diz tudo). Ela não está repreendendo — está *reorientando*. Há uma hierarquia, sim, mas não é baseada em poder, e sim em responsabilidade. Ela vê que a garota de top preto está prestes a fugir — não fisicamente, mas emocionalmente. E então, o relógio no pulso dela brilha. Uma interface holográfica se projeta, e nele aparecem caracteres em chinês: *Jogadora Liu Han — Ritual do Sangue, Sala do Templo, Conclusão da Missão…* A informação não é técnica; é pessoal. É um registro de sacrifício, de escolha, de preço pago. E é nesse momento que entendemos: o portal não era só uma passagem. Era um espelho. Cada um que entrou viu algo — talvez a si mesmo, talvez o que precisava perder para seguir em frente.
Demônios? Não! São Garotas Perfeitas não é sobre monstros sobrenaturais. É sobre as criaturas mais temidas e fascinantes que existem: seres humanos em transição. A garota que chorou não é fraca — ela é *viva*. A que ficou em silêncio não é fria — ela é *protetora*. E Camila? Ela não é uma líder — ela é uma testemunha. Testemunha de que, mesmo em um mundo onde portais místicos se abrem entre arranha-céus, o que realmente importa são os gestos pequenos: um abraço, um olhar, o fechar de uma mão em punho não para lutar, mas para se lembrar de que ainda está aqui.
O cenário, por mais impressionante que seja, serve apenas como pano de fundo para essa dança de emoções. As estátuas de leão não estão ali para intimidar — estão ali para lembrar que a guarda não é contra inimigos externos, mas contra o esquecimento de quem somos. A cidade futurista não é um futuro distópico; é um presente que escolheu manter a memória viva. E o azul das runas? Não é magia aleatória. É a cor da clareza, da calma após a tempestade, do momento em que você finalmente entende por que veio até ali.
O que torna Demônios? Não! São Garotas Perfeitas tão cativante não é a ação — embora ela esteja presente, com precisão coreográfica — mas a *pausa*. Os momentos em que ninguém fala, mas tudo é dito: o suspiro antes do abraço, o piscar lento ao lembrar, o jeito que a garota de saia plissada esconde o rosto no peito do rapaz de cabelos rosa, como se buscasse o calor de uma promessa cumprida. Esses são os verdadeiros rituais. Eles não precisam de runas para serem sagrados.
Ainda assim, há uma sombra. Quando Camila aponta, sua expressão não é de triunfo, mas de alerta. Ela sabe que a conclusão de uma missão é apenas o início de outra pergunta. A garota de top preto, ao virar-se para o portal fechado, tem um lampejo de hesitação — será que algo ficou lá dentro? Será que *ela* deixou parte de si para trás? Esse é o gênio de Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: ele não oferece respostas fáceis. Oferece *consequências*. Cada escolha tem um eco, e cada volta ao portal exige um novo pagamento.
E então, o relógio brilha novamente — não com dados, mas com uma luz suave, quase maternal. A interface se dissolve, e o que resta é a mão da garota, ainda com a luva, mas agora com os dedos levemente separados, como se estivesse prestes a tocar algo invisível. Talvez o vento. Talvez uma memória. Talvez o futuro, ainda em formação.
Neste universo, não há vilões com capas escuras nem heróis com capas brilhantes. Há pessoas que atravessam portais não para salvar o mundo, mas para se encontrarem. E quando saem do outro lado, não são os mesmos — mas também não são outros. São eles mesmos, só que *completos*. É por isso que a multidão celebra: não porque a ameaça passou, mas porque a verdade voltou. E Camila, com os braços cruzados e um sorriso que agora carrega um toque de cansaço, observa tudo em silêncio. Ela já viu isso antes. E saber disso não a torna menos humana — a torna mais necessária.
Porque, afinal, em Demônios? Não! São Garotas Perfeitas, o maior ato de bravura não é enfrentar o mal — é admitir que você também precisa ser salvo. E o portal, no fim das contas, não levava a outro mundo. Levava para casa.

