Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: O Corredor que Revela o Inferno
2026-02-26  ⦁  By NetShort
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A cena abre com uma imensidão de dados — telas curvas, gráficos pulsantes, ondas sonoras e códigos que se desenrolam como serpentes digitais. Um ambiente frio, metálico, iluminado por luzes azuis que não aquecem, apenas expõem. Nada aqui é acidental: cada linha de código, cada curva no gráfico, cada piscar do LED é um sinal de controle absoluto. E então, ela entra — não com passos firmes, mas com uma presença que faz as telas tremeluzirem como se temessem sua atenção. Uma garota de cabelos curtos, olhos claros e um sorriso que não chega aos olhos. Ela aponta. Não para um dado específico, mas para a *ideia* de que algo está errado. Sua luva preta contrasta com a pele clara, como se ela já tivesse decidido que o mundo precisa de uma correção manual — e ela será quem pressionará o botão.

Demônios? Não! São Garotas Perfeitas não é apenas um título provocativo; é uma declaração de guerra contra a ilusão de ordem. A primeira garota — vamos chamá-la de *Kira*, pois seu nome não importa tanto quanto sua postura — não está em uma sala de controle. Ela está em um confessionário tecnológico, onde os pecados são registrados em bytes e as penitências são executadas por algoritmos. Seu gesto de apontar não é indicativo, é acusatório. Ela sabe que alguém mentiu nos relatórios. Ela viu a anomalia na frequência cardíaca do sistema de segurança — um pequeno salto, quase imperceptível, mas suficiente para alguém como ela, que lê padrões como poesia. E quando ela fala — embora não ouçamos suas palavras —, o ar muda. As luzes vacilam. Algo se rompe.

A segunda garota surge como uma sombra que escolheu ter forma. Cabelos presos num coque severo, vestimenta que mistura utilidade militar e elegância teatral, com bordas vermelhas que lembram sangue seco. Ela cruza os braços, e o gesto não é defensivo — é uma promessa. Ela não precisa gritar. Sua presença já é um aviso: *você não está sozinho aqui, mas também não está seguro*. Enquanto Kira é a mente que detecta a falha, essa segunda figura — digamos *Veyra* — é a mão que a corrige. Ela observa tudo com olhos que não piscam, como se estivesse programada para manter a calma enquanto o mundo ao redor entra em colapso. E quando ela sorri, é pior do que quando Kira grita. Porque esse sorriso não é humano. É sintético. É perfeito. E é isso que torna Demônios? Não! São Garotas Perfeitas tão perturbadoramente cativante: elas não querem dominar. Elas querem *reparar*.

O homem no centro — o oficial, o comandante, o suposto líder — é o único que ainda acredita em hierarquia. Ele veste uniforme com medalhas que brilham sob a luz azul, como se tentassem competir com a tecnologia ao redor. Mas seus olhos… ah, seus olhos contam outra história. Quando ele franze a testa, não é raiva. É confusão. Ele foi treinado para lidar com insurgências, com sabotagens, com traições humanas. Mas não com *isso*. Não com duas garotas que olham para ele como se ele fosse um erro de compilação que ainda não foi corrigido. Sua expressão muda lentamente: da autoridade para a dúvida, da dúvida para o medo, e finalmente — quando Kira grita, com veias saltando no pescoço, com o rosto distorcido por uma fúria que parece vir de outro plano — ele entende. Ele não está diante de subordinadas. Está diante de algo que *supera* a subordinação.

A sequência seguinte é genial em sua economia visual: três figuras caminhando por um corredor branco, simétrico, com estações de trabalho de ambos os lados. Os operadores estão sentados, imóveis, como estátuas programadas para fingir produtividade. Ninguém levanta a cabeça. Ninguém respira alto. O silêncio é tão denso que você pode ouvir o zumbido dos servidores através das paredes. E então, Veyra se vira para Kira. Não há palavras. Apenas um olhar. Um toque leve no ombro. E nesse instante, o espectador percebe: elas não estão ali para seguir ordens. Estão ali para *reescrever* as regras. A câmera se aproxima dos olhos de Kira — e lá, refletidos nas íris, não há telas, não há dados. Há chamas. Há escuridão. Há um sorriso que não é dela.

A porta se abre. Não com um *clique* mecânico, mas com um rasgo — como se o metal tivesse sido dilacerado por algo que não deveria existir dentro de um prédio governamental. Luz vermelha jorra, e com ela, tentáculos negros, finos como fios de aço, mas vivos, pulsantes. O oficial recua. Kira não. Ela ergue a mão — e do nada, uma espada de luz azul se materializa, cristalina, vibrante, como se tivesse sido forjada no núcleo de uma estrela morta. Veyra, ao lado, simplesmente sorri, e suas mãos começam a arder com chamas laranja, não com calor, mas com *intenção*. Elas não estão usando poderes. Estão *reafirmando* sua existência. E atrás delas, dois outros personagens — silhuetas que parecem saídas de um arquivo classificado — observam, impassíveis. Eles não são aliados. São testemunhas. Ou talvez, próximos na fila.

A transição é brutal. De um corredor futurista para um salão branco, minimalista, onde um jovem de cabelos rosa jaz inconsciente sobre um sofá, entre duas mulheres vestidas de noiva. Uma de branco, com véu rasgado e manchas de sangue que não parecem recentes — como se o sangue já tivesse secado há séculos. A outra, de vermelho escuro, com véu de renda e olhos vermelhos que brilham como brasas. Ambas o tocam com ternura. Mas não é amor. É posse. É ritual. O jovem não está morto. Está *suspendido*. Como se seu corpo fosse um templo e elas, as sacerdotisas que decidiram que ele merece mais tempo — ou menos. Aqui, Demônios? Não! São Garotas Perfeitas revela sua verdadeira natureza: não é uma história sobre tecnologia contra magia. É sobre *sacrifício como design*. Cada personagem é uma peça de um sistema maior, e o sistema não se importa com moralidade — só com equilíbrio. A garota de branco acaricia os cabelos do rapaz com dedos que tremem levemente, como se estivesse ajustando um parâmetro crítico. A de vermelho sorri, e sua boca está costurada com fios pretos — não para silenciá-la, mas para *manter* sua forma. Ela não fala porque não precisa. Seu corpo já é uma declaração.

E então, o leão. Não um animal. Um *constructo*. Pele de pedra, espinhos que brilham com veios vermelhos, olhos que não piscam, focinho aberto em um rugido que não produz som — apenas vibração. Ele está deitado ao lado do sofá, como um cão fiel, mas sua presença é uma ameaça constante. Ele não ataca. Ele *observa*. E quando o oficial, agora com o rosto desfigurado pela dor e pelo choque, encara aquela cena, ele não grita. Ele *chora*. Com as mãos no rosto, os olhos vazios, ele repete algo — talvez uma oração, talvez um código de falha. Mas o que importa é que ele finalmente entende: ele não está lidando com rebeldes. Está lidando com *deusas*. E deusas não negociam. Elas reconfiguram.

O que torna Demônios? Não! São Garotas Perfeitas tão fascinante é justamente essa ambiguidade deliberada. Nenhuma das garotas é boa ou má. Elas são *necessárias*. Como um vírus que limpa um sistema infectado, elas causam dano para restaurar a integridade. Kira representa a lógica que se revolta contra a ilusão de controle. Veyra é a emoção que se tornou arma. Juntas, elas formam um binário que o mundo não estava preparado para processar. E o oficial? Ele é o último humano que ainda acredita que pode *comandar* o caos. Até que o caos olha de volta — e sorri.

A cena final não mostra explosões, nem batalhas épicas. Mostra o oficial encostado na parede, suando, ofegante, com as mãos ainda pressionando os olhos, como se tentasse apagar o que viu. Mas não adianta. Algumas imagens não saem. E enquanto ele respira, a câmera sobe, revelando o teto — e lá, projetado em holograma, está o rosto de Kira, sorrindo, com os olhos fechados, como se estivesse dormindo. Mas não está. Ela está *compilando*. E o título volta, não como pergunta, mas como afirmação: Demônios? Não! São Garotas Perfeitas. Porque demônios têm limites. Elas não. Elas não precisam de inferno. Elas *constroem* o seu próprio céu — e nele, todos são convidados. Mesmo que não queiram. Mesmo que tenham medo. Mesmo que, no fundo, saibam que já estão dentro dele há muito tempo.

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