Demônios? Não! São Garotas Perfeitas: O Pesadelo da Sala de Aula com Pernas de Aranha
2026-02-26  ⦁  By NetShort
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A primeira cena já entrega o tom: um rapaz de cabelos escuros, olhos arregalados como se tivesse acabado de ver seu próprio nome em uma lista de desaparecidos, encostado numa parede coberta de teias de aranha — não as delicadas e simétricas que decoram livros de poesia, mas aquelas grossas, pegajosas, que parecem ter sido tecidas por criaturas que não respeitam a noção de tempo. Ele sua. Respira rápido. A boca aberta, como se tentasse engolir ar que não existe mais. Ao lado, uma figura feminina, de costas, com cabelos longos presos num rabo de cavalo impecável, observa-o com uma calma que só quem já viu demais pode ter. Nada é dito, mas o silêncio grita: algo está profundamente errado. E então, *bam* — o close na garota, mãos agarrando a cabeça, olhos dilatados, lágrimas escorrendo como se o cérebro estivesse derretendo por dentro. Aqui, o espectador já entende: isso não é um drama escolar comum. Isso é Demônios? Não! São Garotas Perfeitas, onde a realidade se desfaz como papel molhado e o que parece ser uma aula de história vira um ritual de submissão coletiva.

A sala de aula, aliás, é um cenário que merece um capítulo à parte. Teto rachado, luz filtrando-se por buracos como se o céu tivesse decidido abandonar os alunos. No centro, um professor de cabelos rosa — sim, rosa, como se tivesse saído de um mangá de shōnen com delírios de grandiosidade — está de pé atrás de uma mesa de madeira gasta, apontando com o dedo indicador como se estivesse acusando o próprio universo. Atrás dele, uma lousa vazia. Mas não é a ausência de escrita que assusta; é o fato de que todos os alunos estão sentados em cadeiras… com pernas de aranha. Sim, pernas. Longas, articuladas, negras, com juntas que rangem ao menor movimento. Alguns têm rostos enrugados, outros jovens demais para estar ali, todos com olhos vidrados, escrevendo em folhas amareladas como se suas vidas dependessem disso — e talvez dependam mesmo. Um velho, no primeiro banco, curva-se sobre o papel com tanta força que sua caneta quase perfura a mesa. A atmosfera é de uma igreja abandonada onde o culto ainda acontece, só que o deus é o professor, e o sacrifício é a própria sanidade.

E então entra o grupo principal: três figuras que parecem ter entrado na sala por acidente, mas que logo percebem que não há porta de saída. O rapaz do início, agora ao lado de uma garota de casaco branco e postura militar, braços cruzados, olhar frio como aço temperado, e outra, mais nova, com uniforme escolar e tranças, segurando a cabeça como se tentasse impedir que pensamentos estranhos invadissem seu crânio. A tensão é tão densa que dá pra cortar com uma faca — ou com a espada que a garota de casaco carrega às costas, presa com uma correia que parece feita de couro de dragão. O professor, sem virar o corpo, sussurra algo. Não ouvimos. Mas vemos a reação: a garota de casaco abre os olhos, e por um instante, ela não é mais humana. É algo que já viu o inferno e decidiu voltar para consertá-lo — ou destruí-lo. A câmera zooma no rosto dela, linhas de expressão que contam histórias de batalhas não contadas, e ali, entre os batimentos cardíacos do espectador, surge a pergunta: quem são eles? Por que estão aqui? E mais importante: por que as aranhas não os atacam?

A resposta, claro, vem em forma de transição brutal. A tela escurece. E quando volta, estamos em outro mundo: ruínas urbanas, céu sangrento, edifícios partidos como ossos de gigantes. Carros esmagados, pontes desabadas, fumaça que sobe em colunas lentas, como se o planeta estivesse exalando seu último suspiro. Três figuras em armaduras pretas, musculosas, com detalhes geométricos que lembram símbolos antigos, caminham entre os escombros. Um deles, Eduardo Costa — cujo nome aparece na tela com a legenda Caçador de Trevas de Elite — tem uma cicatriz no rosto, olhos azuis que parecem ter visto mil guerras, e uma postura que diz: eu não vim para negociar. Ele toca o ouvido, como se estivesse recebendo ordens de alguém que não está lá. Seu relógio brilha com um símbolo de chamada — mas não é um telefone comum. É um dispositivo que pulsa com energia violeta, como se estivesse conectado a algo além da física.

Aí, o choque: o mesmo professor de cabelos rosa, agora em uma catedral escura, cercado por correntes enferrujadas e teias que brilham com um leve brilho bioluminescente. Ele sorri. Não é um sorriso amigável. É o tipo de sorriso que você vê antes de alguém puxar a alavanca de uma guilhotina. Ele está sozinho, mas não parece solitário. Parece estar esperando. Esperando por quem? Por Eduardo? Por aqueles que entraram na sala de aula? A conexão entre os dois mundos é sutil, mas inegável: ambos são lugares onde o normal foi substituído pelo ritual. Na sala de aula, o ritual é a escrita compulsiva. Na cidade destruída, é a preparação para o combate final. E no meio disso tudo, há uma garota que ri enquanto limpa sangue de suas mãos, sentada num banco como se estivesse esperando o ônibus — só que o ônibus nunca chega, porque o mundo acabou e ninguém avisou.

O momento-chave chega quando Eduardo, com o rosto ensanguentado, rasga sua própria armadura no peito. Não é auto-flagelação. É ativação. Uma marca em forma de estrela invertida surge sob sua pele, envolta em chamas violetas que não queimam, mas *transformam*. Seus olhos mudam. De azul para âmbar, como os de um predador noturno. Ao fundo, duas silhuetas de tigres rugem em uníssono — não são reais, mas sim projeções de sua própria fúria, de sua herança, de algo que ele tentou esquecer. Aqui, Demônios? Não! São Garotas Perfeitas revela seu verdadeiro jogo: não se trata de monstros externos, mas de forças internas que foram domesticadas, controladas, até que alguém — talvez o professor rosa — decidiu que era hora de liberá-las. As garotas não são vítimas. Elas são portadoras. Portadoras de algo que, se despertado, pode reescrever as regras da realidade.

A cena final é icônica: seis figuras, todas em armadura, formam um círculo com as mãos unidas no centro. Não é um gesto de união comum. É um selo. Um pacto feito com o caos. A câmera sobe, e vemos suas silhuetas contra o céu vermelho, enquanto um raio corta o firmamento — não como punição, mas como confirmação. O trovão não soa. O silêncio é mais forte. E então, a última imagem: o professor, de costas, caminhando entre bancos vazios, enquanto as teias de aranha se desfazem ao seu redor, como se o próprio pesadelo estivesse se dissolvendo… ou se preparando para a próxima fase.

O que torna Demônios? Não! São Garotas Perfeitas tão perturbadoramente cativante é justamente essa dualidade: o cotidiano distorcido e o apocalipse elegante. Não há vilões claros, nem heróis puros. Há apenas pessoas que escolheram lutar — ou foram escolhidas para lutar — em um campo de batalha onde a linha entre realidade e ilusão é tão fina quanto uma teia de aranha ao vento. As garotas não são perfeitas porque são boas. Elas são perfeitas porque sabem quando quebrar as regras. Quando fingir obediência é mais letal que a rebelião aberta. Quando um olhar pode matar mais rápido que uma espada.

E o mais assustador? Ninguém nelas parece querer sair. Nem mesmo o rapaz assustado do início. Ele ainda está lá, agora com os olhos fechados, sorrindo levemente, como se tivesse acabado de entender a piada que o mundo inteiro estava contando — e ele, por fim, tinha conseguido rir junto. A sala de aula não é uma prisão. É um templo. E os alunos? Eles não estão sendo controlados. Estão sendo *iniciados*.

A trilha sonora, por sinal, é um misto de koto distorcido e batidas eletrônicas que lembram o coração de uma máquina prestes a explodir. Cada passo dos personagens é sincronizado com um eco que reverbera nas paredes da mente do espectador. Nada é aleatório. Até o modo como a luz incide no rosto de Eduardo quando ele ergue a mão — não é iluminação natural. É *intenção*. Como se a própria câmera soubesse que aquele gesto vai mudar tudo.

E então, a pergunta que fica, suspensa no ar como fumaça: se as garotas são perfeitas… o que resta para os que não são? Será que o professor não está ensinando história, mas *fabricando* futuros? Será que as aranhas não são criaturas, mas metáforas para as redes invisíveis que nos prendem — redes de expectativa, de dever, de identidade? Quando a garota de tranças solta os cabelos e eles flutuam como se estivessem em gravidade zero, não é magia. É libertação. E ela sabe que, depois disso, não há volta.

O que Demônios? Não! São Garotas Perfeitas faz com maestria é transformar o terror psicológico em dança. Cada gesto tem peso. Cada silêncio, significado. O fato de ninguém gritar durante a cena da sala de aula é mais aterrorizante do que qualquer berro. Porque o medo verdadeiro não é barulhento. Ele é quieto. Ele está na maneira como o velho segura a caneta. Na forma como o professor não precisa levantar a voz. Na certeza absoluta de que, se você entrar nessa sala, você já está perdido — não porque vai morrer, mas porque vai *lembrar* de algo que nunca viveu.

E no fim, quando as mãos se unem e o raio cai, não é o começo do fim. É o fim do começo. Porque agora, eles sabem. Sabem que não estão lutando contra demônios. Estão lutando contra a ideia de que demônios existem. E que, talvez, o maior monstro seja a própria perfeição — aquela que exige que você se curve, escreva, obedeça, e nunca questione por que as pernas das cadeiras se movem sozinhas à meia-noite.

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